Quedas depois dos 60: quando um simples tropeço pode ser um sinal de alerta

20 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

Corredor de casa iluminado, com piso firme, barra de apoio na parede e bengala apoiada em uma poltrona — prevenção de quedas na terceira idade

Uma queda pode parecer um acontecimento simples. Um tropeço no corredor, um desequilíbrio ao levantar da cama ou uma escorregada no banheiro. Mas, especialmente depois dos 60 anos, uma queda merece atenção.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil possui cerca de 36 milhões de pessoas idosas e aproximadamente 28% delas sofrem pelo menos uma queda por ano. Isso representa milhões de episódios que podem resultar em fraturas, traumas, medo de cair novamente e, em alguns casos, perda de autonomia.

Cair não é simplesmente “coisa da idade”

É comum ouvir que determinada pessoa caiu porque “já está velha”. Essa ideia precisa ser revista.

O envelhecimento pode trazer mudanças na força muscular, no equilíbrio, nos reflexos e na visão, aumentando alguns riscos. Entretanto, uma queda não deve ser encarada como algo inevitável ou normal.

Ela pode ser um sinal de que alguma coisa precisa ser melhor avaliada.

Alterações na visão, dificuldades de equilíbrio, fraqueza muscular, problemas de mobilidade, alterações na pressão arterial e até determinados medicamentos podem contribuir para aumentar o risco de quedas.

Por isso, contar ao médico que houve uma queda ou episódios frequentes de desequilíbrio é importante.

O ambiente da casa também merece atenção

Muitas quedas acontecem dentro de casa.

Tapetes soltos, objetos espalhados pelo caminho, pouca iluminação, pisos escorregadios e ausência de apoio no banheiro são alguns exemplos de situações que podem aumentar o risco.

Algumas medidas simples podem fazer diferença:

  • Manter corredores e áreas de circulação livres;
  • Evitar tapetes soltos;
  • Melhorar a iluminação, principalmente durante a noite;
  • Utilizar calçados firmes e adequados;
  • Instalar barras de apoio quando houver indicação;
  • Ter atenção especial ao banheiro;
  • Evitar andar em pisos molhados ou escorregadios.

O Ministério da Saúde também recomenda conversar com profissionais de saúde sobre episódios de quedas e revisar os medicamentos utilizados, inclusive aqueles que não precisam de receita, pois alguns podem contribuir para aumentar esse risco.

E quando a pessoa começa a ter medo de cair?

Esse é um ponto que merece bastante atenção.

Depois de uma queda, algumas pessoas passam a evitar caminhar, sair de casa ou realizar atividades que antes faziam normalmente.

O medo pode levar à redução dos movimentos. Com menos movimento, pode haver perda de força e condicionamento. E isso pode aumentar ainda mais a insegurança.

Por isso, prevenir novas quedas não significa simplesmente “ficar parado”.

O objetivo é encontrar formas seguras de manter a pessoa ativa, preservar sua capacidade funcional e adaptar o ambiente às suas necessidades.

Atividades que trabalham força e equilíbrio podem contribuir para reduzir o risco de quedas, sempre respeitando as condições individuais e a orientação adequada.

A prevenção começa antes da primeira queda

Um acompanhamento cuidadoso permite observar fatores que podem interferir na segurança e na autonomia da pessoa.

Mais do que perguntar “você caiu?”, é importante compreender como está a rotina:

  • Como está a caminhada?
  • Houve algum desequilíbrio recente?
  • A pessoa consegue levantar-se da cadeira com facilidade?
  • Enxerga bem?
  • Utiliza muitos medicamentos?
  • Está praticando alguma atividade física?
  • Como está a alimentação?
  • Como está sua autonomia dentro de casa?

Essas perguntas ajudam a construir uma visão mais ampla da saúde.

Cuidar é preservar autonomia

Prevenir quedas não significa limitar a vida.

Significa criar condições para que a pessoa continue fazendo aquilo que gosta com mais segurança e independência.

Porque envelhecer bem não é deixar de fazer.

É continuar fazendo — com segurança, autonomia e qualidade de vida.